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Entrevista à TV Globo: Como identificar vídeos feitos com IA:

shedantas
há 2 dias
4 min de leitura

Tive a honra de ser entrevistada pela TV Globo para falar de um tema que merece atenção em período eleitoral: como lidar com deepfakes, vídeos feitos com IA que parecem reais. Aqui reuni os dados e as dicas, com as fontes. Vídeo disponível aqui: https://globoplay.globo.com/bom_dia_pe/t/dkGCdfzZHL/


Sheila Dantas Santos, especialista em IA para negócios, é entrevistada pela TV Globo no dia 19/10/2026
Sheila Dantas Santos, especialista em IA para negócios, é entrevistada pela TV Globo no dia 19/10/2026

Quase metade das pessoas erra ao identificar um vídeo feito com IA

Em um estudo da Runway, empresa que desenvolve modelos de vídeo com IA, 1.043 pessoas assistiram a 20 clipes de cinco segundos, metade reais e metade gerados por IA, e tiveram de dizer quais eram falsos. A taxa de acerto geral foi de 57,1%, pouco acima de cara ou coroa. Só 99 participantes (9,5%) acertaram o bastante para o resultado ser estatisticamente significativo.


Um cuidado: o estudo foi feito pela própria Runway, com vídeos gerados pelo modelo Gen-4.5 da empresa. Serve como um sinal forte de como a IA de vídeo evoluiu, e não como medida exata de todos os vídeos que circulam por aí.


Os sites que prometem detectar IA também falham

Pesquisadores da CSIRO, agência científica nacional da Austrália, e da Universidade Sungkyunkwan, da Coreia do Sul, avaliaram 16 detectores de deepfake de ponta e concluíram que nenhum conseguia identificar com confiabilidade deepfakes do mundo real. O estudo, de 2025, também mostrou que muitos detectores têm dificuldade com vídeos fora dos dados com os quais foram treinados.


Os próprios autores defendem usar vários detectores ao mesmo tempo e olhar para o significado e o contexto do conteúdo, e não só para a aparência.


O que fazer: investigue a origem, não o defeito

Se olhar o vídeo não basta, o caminho é checar de onde ele veio. Três perguntas ajudam:

  1. Quem publicou primeiro? Procure a fonte original, e não o compartilhamento que chegou até você.

  2. Algum veículo confiável noticiou? Se o conteúdo for real e importante, vale conferir se a imprensa de confiança também publicou.

  3. O conteúdo quer te deixar com raiva ou com pressa? Vídeos feitos para viralizar apostam em emoção forte e urgência. Respire antes de compartilhar.


E as marcas d'água invisíveis?

Algumas empresas de IA já inserem marcas d'água invisíveis no que geram. Em 7 de outubro de 2026, o Google abriu ao público o SynthID Detector (synthid.com), que procura essa marca em imagens, vídeos e áudios. A ferramenta reconhece marcas do Google e de parceiros, como OpenAI, NVIDIA e Kakao, e por enquanto só funciona em inglês, segundo o IT-Connect.


O próprio Google avisa que não se trata de um detector geral de IA. Um conteúdo criado por empresa que não usa a tecnologia, ou por modelo aberto rodando em computador local, não será identificado. Por isso, resultado negativo não prova que o vídeo é real.


Na União Europeia, o artigo 50 do AI Act exige que provedores de IA generativa marquem o conteúdo em formato legível por máquina e que quem usa essas ferramentas avise quando publicar deepfakes. As regras valem desde 2 de agosto de 2026, com prazo até 2 de dezembro de 2026 para a marcação em sistemas que já estavam no mercado, segundo o escritório Baker Botts. Na prática, nem todo conteúdo gerado por IA chega com marca.


A pergunta que mudou

Antes, a pergunta era: "esse vídeo apresenta algum defeito?" Agora é: "de onde ele veio e quem garante que é real?"


Perguntas frequentes sobre deepfakes e vídeos feitos com IA

Como saber se um vídeo foi feito com IA?

Olhar o vídeo não basta: no estudo da Runway, a taxa de acerto das pessoas foi de 57,1%. Verifique quem publicou primeiro, se veículos confiáveis noticiaram e se o conteúdo tenta provocar raiva ou pressa.

Detectores de deepfake funcionam?

Ajudam, mas não são confiáveis sozinhos. Em estudo da CSIRO e da Universidade Sungkyunkwan, nenhum dos 16 detectores avaliados identificou com confiabilidade deepfakes do mundo real. Os pesquisadores recomendam combinar vários detectores com análise de contexto.

O que é marca d'água invisível em conteúdo de IA?

É um sinal embutido pela própria empresa de IA no conteúdo que ela gera. Não é visível a olho nu, mas pode ser lido por uma ferramenta, como o SynthID Detector. Só funciona para as empresas que adotam essa tecnologia.

No Brasil, até a data de publicação deste artigo, ainda não há um Marco Legal da IA. Em outras palavras, não existe, entre outras, a obrigação de dizer que um conteúdo foi gerado ou manipulado com IA. A única exceção a esta regra é a imposição do TSE, durante o período das eleições, para todas as postagens realizadas sobre os candidatos. Você já identificou algum vídeo de propaganda política feito com IA neste período eleitoral que não estivesse marcado como "gerado com IA"? Se isso foi feito, saiba que isso é considerado crime.


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Fontes

 
 
 

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